Alfredo de Campos Matos: Diploma de arquitecto pela Escola do Porto, com data de 1959 e 19 valores de classificação. Desde cedo se interessou pelas artes, com destaque, naturalmente, pela Arquitectura. Fez carreira oficial num departamento do M.O.P. como arquitecto e urbanista na Direcção Geral de Urbanização e, como tal, foi bolseiro da Fundação Gulbenkian para o estudo das New towns e problemas de reabilitação urbana, tendo viajado diversas vezes pelos países nórdicos, Suécia e Finlândia, França, Holanda, Alemanha e Inglaterra, em 1962. Publicou neste âmbito vários trabalhos, tendo-se reformado da função pública em 1993. Nesse âmbito colaborou numa tarefa pioneira em Portugal, incentivada pelo seu director-geral Eng.ro Sá e Melo, a criação de uma metodologia (assente nas teorias e práticas inglesas), para classificação e protecção dos centros históricos e da respectivas paisagens urbanas. Fez assim trabalhos em Alte, Fuseta (1970), Ferragudo, Praia da Luz, Évora, Olhão (1970), Ponte de Lima, etc. No começo da sua carreira de arquitecto publicou a monografia ilustrada Algumas Considerações sobre Problemas da Arquitectura Contemporânea e Breve História da Arquitectura. Estes estudos, verdadeiramente pioneiros no nosso país, não tiveram qualquer efeito prático dado que não chegaram a ser aprovados oficialmente por decreto.
Foi autor, na equipa do prof. Costa Lobo, do plano de urbanização do Centro Comercial da base aérea de Beja, em 1964, e autor dos estudos de arquitectura do respectivo Centro. Nessa mesma equipa fez estudos de urbanização e trabalhos de arquitectura para Vilamoura, no Algarve. Em colaboração com o arq.to Cabeça Padrão, foi autor do plano de pormenor da zona de S.Bento em Lisboa, em 1970. Nesse mesmo ano frequentou um curso de transportes urbanos em Birmingham. Participação no Congresso Mundial da FIHUT de Hamburgo em 1978. Foi representante da sua Direcção-Geral entre 1980-81, nas reuniões do Conselho da Europa em Estrasburgo. Fez o plano, acompanhamento da tomada de vistas e montagem de um filme de 16/mm realizado pela Cinequanon (António de Macedo) no âmbito da «Campanha Europeia do Renascimento das Cidades». Autor de o guião de um filme sobre Angra do Heroísmo, quando do tremor de terra de 1980. Foi representante da Associação dos Arquitectos no concurso para ampliação do Palácio da Ajuda em 1984. Missão ao Mindelo, Cabo Verde, por solicitação da Fundação Gulbenkian, para análise dos problemas de salvaguarda e reabilitação do património arquitecturtal de 30 de Julho a 9 de Agosto de 1985.
Representante da sua Direcção Geral na Comissão para Apreciação da Inspecção Geral de Jogos, durante treze anos (1977-1990), com louvor. Colaboração de inumeráveis artigos de natureza profissional e literária em periódicos tais como: Diário de Notícias, Diário Popular, O Jornal, O Ponto, Jornal de Letras, Artes e Ideias (JL), Das Artes e das Letras (Porto) e Arquitectura.
No seu curriculum literário predominam os estudos sobre Eça de Queiroz, iniciados com Imagens do Portugal Queiroziano, em 1976, com uma 1ª edição de 20.000 exemplares em Edições Terra-Livre (estatal), a 2ª em 1987 na Imprensa-Nacional e a 3ª edição, da editora Livros Horizonte, em 2004. Seguiu-se em 1979 a publicação de uma crónica inédita «Primeiro de Maio», recolhida na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e, em 1980, a organização da 1ª edição (fixação de texto e notas) d’A Tragédia da Rua das Flores, conjuntamente com o prof. João Medina, da Faculdade de Letras de Lisboa (o autor foi recentemente convidado pela Porto Editora, para fazer , com o seu colaborador, nova edição revista do romance). Em 1988 publicou na editorial Caminho o primeiro dicionário de autor da literatura portuguesa, ou seja, o Dicionário de Eça de Queiroz, de que foi o organizador e principal colaborador. Esta obra teve uma 2ª edição muito aumentada, com novos colaboradores, em 1993, na mesma editora., e uma 3ª ed. pela IN-CM, em 2015. Em 1995 foi encarregado pela Fundação Eça de Queiroz de publicar a correspondência inédita de Emília de Castro (Resende) com Eça de Queiroz (Eça de Queiroz-Emília de Castro, Correspondência Epistolar, Porto Lello Editores), que foi objecto de uma segunda edição no ano seguinte. Em 1996 publicou a monografia Sobre o escultor Silva Gouveia e a estatueta-caricatura de Eça de Queiroz, e em 1998, Diálogo com Eça de Queiroz, na Editorial Caminho, e Cartas de Amor de Anna Conover e Mollie Bidwell para José Maria Eça de Queiroz Cônsul de Portugal em Havana (1878-1874), na editora Assírio e Alvim.
No ano 2000 foi encarregado de fazer o guião para a exposição evocativa dos 100 anos da morte do escritor encomendado pelo Instituto Camões, exposição comissariada pela Prof.ª Isabel Pires de Lima: Eça de Queirós, Marcos Biográficos e Literários. Esta exposição foi inaugurada em Paris na Sorbonne por ocasião de um colóquio aí realizado. O Instituto Camões incluiu também nas comemorações, a produção de um filme (1) em video, com guião e participação na locução do autor, intitulado Eça de Queirós, Realidade e ficção, ainda no ano 2000. É desse mesmo ano de 2000 o Suplemento do Dicionário de Eça de Queiroz, ou seja, um 2º volume desta obra de colaboração, na Editorial Caminho.
Data de 2000 a publicação de um estudo elaborado em moldes novos acerca da A Igreja Românica de Rates, da editora Livros Horizonte. A obra A Casa de Tormes, Inventário de um Património, foi encomenda da Fundação Eça de Queiroz (com uma 2ª edição em 2006), e Viagem no Portugal de Eça de Queiroz (Roteiro), edição da Fundação Eça de Queiroz. Em 2001 publicou: Ilustrações e Ilustradores na Obra de Eça de Queiroz, em Livros Horizonte; O Mistério da Estrada de Ponte do Lima, António Feijó e Eça de Queiroz,em Livros Horizonte, em 2001, e Polémica Eça de Queiroz-Pinheiro Chagas «Brasil-Portugal»,na editora Parceria A.M. Pereira. Em 2002, em livros Horizonte, publicou uma recolha de crónicas e ensaios intitulada Sobre Eça de Queiroz .
Em 2004 organizou, de colaboração com as prof.as Ana Piedade e Ana Vasconcelos, um colóquio no Palácio Fronteira, em Lisboa, de que resultou a obra Diálogos com Eça no Novo Milénio,da editora Livros Horizonte. Ainda desse ano de 2004 é a 1ªedição da monografia 7 Biografias de Eça de Queiroz, da editora Livros Horizonte, com uma 2ª edição publicada na editora Movimento de Porto Alegre, Rio Grande do Sul em 2007, e uma edição francesa publicada em Paris em 2008, por Éditions de la Différence com o titulo Eça de Queiroz et ses Sept Biographes. Em 2005 organizou a 1ºedição ilustrada de O Mistério da Estrada de Sintra para a A.M. Pereira. Em 2006 sairia A Casa de Tormes, Inventário de um Património, publicado por Livros Horizonte. Desse mesmo ano é o Dicionário de Citações de Eça de Queiroz, de Livros Horizonte, e Eça de Queiroz, Postais Ilustrados, da mesma editora (correspondência em postais de Eça para sua mulher e filhos). Em 2007 publicou Agostinho da Silva e Vasco de Magalhães-Vilhena entrevistados sobre António Sérgio, em Livros Horizonte.
Em 2007 publicou Eça de Queiroz Fotobiografia, na editorial Caminho, com uma 2ª edição revista e aumentada na editora Leya de S. Paulo, em Outubro de 2010. Esta obra recebeu menção honrosa do Grémio Literário (2007) “pelo considerável labor de investigação e pela revelação de elementos inéditos” (José-Augusto França).
São de 2008 A Guerrilha Literária Eça de Queiroz-Camilo Castelo Branco, da Parceria A.M. Pereira, e Eça de Queiroz, Correspondência, em 2 volumes, (organização, fixação do texto e anotações) na Editorial Caminho. Em 2009 publicou: Eça de Queiroz- Ramalho Ortigão, Retrato da «Ramalhal Figura», na editora Livros Horizonte e Eça de Queiroz, Uma Biografia, na editora do Porto Afrontamento, que obteve, em Outubro de 2010, o «Prémio Jacinto do Prado Coelho» atribuído pela Associação Portuguesa de Críticos Literários. Obteve esta obra, também o «Grande Prémio da Biografia Literária 2008/2009», da Associação Portuguesa de Escritores. Esta biografia foi publicada em Paris nas edições de La Différence com o título Vie et Oeuvre d’Eça de Queirozem 2010.
Em 2011 publicou a monografia, Silêncios, Sombras e Ocultações em Eça de Queiroz e, Roteiro da Lisboa de Eça de Queiroz e Seus Arredores, da Parceria Maria Pereira.. Em 2012 , Sexo e Sensulidade em Eça de Queiroz (2ª ed. de 2014, Lisboa, Esfera Poética)e a monografia, Um caso Insensato da Cultura Nacional, Querela Inútil mas Inevitável em edições Colibri. Em 2013, Eça de Queiroz, Correspondência (Adenda), emParceria A.M.Pereira.Em 2013 saiu uma 2ª edição de Eça de Queiroz. Uma Biografia, publicado no Brasil ,na editora Unicamp. Em 2015 publicou o Roteiro da Lisboa de Eça de Queiroz e seus Arredores, em 2ªed. revista e ainda uma versão crítica do texto O Egipto, em Feitoria dosLivros.
Em 2015, a IN-CM, publicou a 3ª ed. actualizada o Dicionário de Eça de Queiroz. Em 2017 a mesma editora publicou uma nova edição revista e actualizada de Eça de Queiroz, uma biografia. Em 2017 publicou em Esfera Poética uma recolha dos seus trabalhos de arquitectura com o título de Arquitectura Vinte e Cinco Estudos.
Actualmente tem no prelo 112 Reflexões Queirozianas e Outros Escritos.Encontra-se neste momento a trabalhar num album dedicado a Manuel Teixeira Gomes e as Artes Plásticas.
Fora da temática queiroziana publicou ainda: Diálogo com António Sérgio, editora Arquê, em 1983, com uma 2ª edição revista na Editorial Presença. Nesse mesmo ano de 1983 publicou no número especial da «Revista da História das Ideais» uma Bibliografia de António Sérgio
Em 2017 foi feito sócio honorário da Academia Portuguesa de História, tendo então proferido uma comunicação acerca de Manuel Teixeira Gomes.
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Este curriculum não inclui traduções, prefácios e inúmeros artigos publicados em jornais e revistas literárias, alguns dos quais ainda não recolhidos em livro, nem tão pouco a participação em palestras e colóquios realizados em: Viana do Castelo, Póvoa de Varzim, Porto, Tormes, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Évora, Vigo, Paris, Recife, Salvador da Baía, Rio de Janeiro, S.Paulo, Porto Alegre, Montevideu, Buenos-Aires, Santiago do Chile e Massachussets (U.S.A.).
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Nota 1 : este filme realizado pela empresa «Sinal Video», do Porto, com tradução em várias línguas, teve como objectivo divulgar a vida e obra de Eça de Queiroz, muito especialmente nas Escolas, Universidades e nos Leitorados e Centros Culturais Portugueses espalhados pelo mundo, de modo a «revisitar um escritor capaz de atravessar milénios, a partir de diversos pontos de olhar – pontos de olhar de Eça sobre o mundo, pontos de olhar do mundo sobre Eça», como se lê no invólucro do video. Além de belas imagens a cores de Portugal, de norte a sul, que incluem a casa de Tormes (Fundação Eça de Queiroz), o filme contém um documento precioso, recuperado dos arquivos da televisão oficial, o testemunho filmado de Maria Eça de Queiroz, filha do escritor (1887-1970),com as suas recordações do pai.
A.Campos Matos
Lisboa, 21 de Março,2018